O Sindsep recebeu nova denúncia do Hospital Municipal Tide Setúbal, referência na zona Leste para atendimento de casos de Covid-19. Conforme trabalhadores que pedem para não serem identificados por medo de retaliações, a chamada “Contenção 7”, unidade de terapia intensiva aberta recentemente no terceiro andar do hospital, não tem condições de atendimento e para os profissionais trabalharem.
“Falta torneira de água quente nos quartos. Temos que pegar água quente no chuveiro, na outra enfermaria, para dar banho nos pacientes no quarto. Fizeram uma gambiarra elétrica para ligar as bombas de infusão. Respiradores, oxigênio e outros equipamentos estão ligados em uma extensão para quatro tomadas. Não tem régua de oxigênio, esse oxigênio é para inalação e estamos usando para aspirar! Isso é improviso”, relata um funcionário.
A denúncia chegou ao Sindsep essa semana, mas o fato já vem ocorrendo a algum tempo, segundo o funcionário, no entanto os trabalhadores estão receosos de reclamar devido às perseguições, transferências e demissões ocorridas após a remoção “ex officio” de servidores do Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio (Tatuapé). “O silêncio está imperando aqui. Para se ter uma ideia, perdemos um colega na segunda-feira (18), ele era funcionário da empresa terceirizada de higienização, e somente quatro dias depois ficamos sabendo”.
RISCOS
Outro problema na emergência citado pelo trabalhador refere-se à inexperiência de profissionais PJ que estão sendo colocados no atendimento de pacientes graves de Covid-19. “Eles não têm experiência nenhuma e já tivemos problemas para fazer intubação e prescrições. Isso é recorrente, porque a diretoria do hospital tirou todos os médicos experientes das contenções para atender a porta do Pronto-Socorro e deixou as áreas de contenção para os profissionais contratados por organizações sociais”, acrescenta.
O Hospital anunciou recentemente a instalação de uma "câmara com raio ultravioleta para descontaminação dos profissionais". E orientaram: "Ao final do expediente, o protocolo é que profissionais sigam as instruções e fiquem por 20 segundos expostos ao raio ultravioleta, 'capaz de matar o vírus'. A tecnologia experimental está sendo usada em vários formatos ao redor do mundo". Segundo outro funcionário, o equipamento sem teste prévio foi instalado e hoje os profissionais convivem com cheiro de queimado no hospital. "O filho da diretora financeira que estuda robótica nos falou desta solução. As madeiras já tínhamos e os equipamentos de luz custaram 1.400 reais", diz o diretor técnico do hospital em publicação local.
Uma usuária da unidade hospitalar contou à reportagem do Sindsep que questionou algumas vezes a direção do hospital Tide Setúbal sobre os problemas da unidade e reclamações de funcionários. "Gostaria de saber quais as medidas estão sendo adotadas para a melhoria do atendimento e ambiente de trabalho", disse ela.
A direção se recusou a responder à munícipe e que 'os profissionais teriam de fazer os questionamentos por escrito ou diretamente à diretoria', para que as questões fossem esclarecidas e providências fossem tomadas 'caso as denúncias fossem verdadeiras'. O que deixa transparecer é que a direção se recusa a apurar a existência de problemas que colocam em risco a vida de trabalhadores e da população atendida. Prefere, na avaliação de funcionários e da usuária, apenas punir quem busca solucionar os problemas.
POSIÇÃO DO SINDSEP
No final do mês passado, um dos diretores do Sindsep esteve no hospital para tentar um diálogo com a direção, em razão de uma série de denúncias sobre condições inadequadas de trabalho, falta de equipamentos de proteção individual e problemas de assédio moral que vinham sendo relatados por servidores. A direção recusou-se a atender. O Sindsep enviou ofício por meio eletrônico com a solicitação de agendamento para uma reunião e a direção administrativa respondeu o pedido anexando a Portaria 158/2020, publicada em 26/03/2020, que instituiu “Mesa Técnica para discussão e acompanhamento da evolução da epidemia do Covid-19, visando amplo debate com os conselhos, sindicatos e órgãos de classes”.
Nesse período de pandemia, o Sindsep encaminhou várias denúncias enviadas pelos trabalhadores do Hospital Tide Setúbal para as reuniões de Mesa Técnica, para os veículos de imprensa e apresentou uma ação civil pública contra a Prefeitura de São Paulo diante da situação global que vem enfrentando os trabalhadores de áreas essenciais que estão na linha de frente do enfrentamento da crise sanitária.
Atos em defesa de proteção e melhores condições de trabalho também foram realizados e continuarão a acontecer, enquanto condições de trabalho, a proteção da vida dos trabalhadores e população não estiver sendo garantida conforme orientam as autoridades sanitárias.