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Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Minicípio de São Paulo

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Saúde

01/12/2020 - 13:35

Ato contra o fechamento do programa de hormonioterapia da UBS Santa Cecilia é marcado pela luta dos usuários por um tratamento digno

Ato foi marcado por gritos de todas as vidas importam e não a terceirização

Sindsep participou de ato, juntamente com usuários, trabalhadores e conselheiros municipais de saúde, contra o fechamento do programa de hormonioterapia na UBS Santa Cecilia e em defesa da cidadania trans, na manhã desta terça-feira, 1º de dezembro.

 

A dirigente do Sindsep e conselheira municipal, Flavia Anunciação, na abertura da atividade falou sobre o serviço de referência que é prestado pela UBS Santa Cecilia e reforçou que todas as unidades básicas de saúde da cidade deveriam ofertar este tratamento e que a população precisa saber que existe este serviço. “Estamos aqui hoje para mandar um recado para o prefeito e para o secretário, para que mantenha o programa de hormonioterapia na UBS”.

A UBS/AMAE Santa Cecilia atende cerca de mil pessoas no seu programa de hormonioterapia, está ameaçado com a transferência da unidade para a gestão da organização social da saúde Iabas.

 

Os usuários presentes no ato realizaram falas lindas sobre a importância do programa em suas vidas. Marcela Martins almeida de 57 anos e há 2 anos integrante do programa fala que sua transição começou tarde, porque nunca teve oportunidade. “Hoje eu sou essa pessoa, porque o SUS me proporcionou. Antes eu não vivia, eu vegetava, agora eu vivo”.

 

A diretora dos Trabalhadores da Saúde do Sindsep, Lourdes Estevão falou sobre a organização da atividade não foi de um dia para o outro, que ela foi organizada muito antes das eleições, pois a pauta é concreta e que todas as  vidas importam e que o Sindsep estará quantas vezes forem necessárias na porta da Secretaria Municipal de Saúde para defender as vidas. “Queremos a UBS Santa Cecilia na mão da direta. Nós não queremos que os trabalhadores que estão lá que foram qualificados para dar assistência de qualidade sejam removidos, a gente quer que esse serviço ao invés de ser desidratado como o governo vem fazendo, seja de qualidade. Não vamos sair da rua até que o governo atenda nossas reivindicações”.

Lembrando que o atendimento a pessoas trans na capital foi iniciado há 5 anos em 9 UBSs da região central, onde está concentrada 70% das pessoas transexuais da cidade. Acompanhamento de psicólogo, endocrinologista e ginecologista, dispensação de medicações, além da criação de um protocolo de atendimento aos usuários interessados em iniciar a hormonioterapia são algumas das ofertas do serviço.

 

Luba Melo, dirigentes do Sindsep que estava coordenando o ato falou sobre a política do governo Bruno Covas que a “necropolítica” que decide quem vai viver e quem vai morrer. Também lembrou que hoje é o Dia Mundial de Combate a Aids, e que o Brasil já foi referência no tratamento, mas que hoje sofre um grande desmonte. “Na cidade de São Paulo, a gente tem feito a luta para manter este serviço tão importante no Brasil e no mundo”.

 

Os usuários do programa receberam apoio de várias entidades. João Batista Gomes, dirigente do Sindsep e da CUT Nacional, colocou à disposição dos usuários a Central Única dos Trabalhadores para ajudar na luta. Silas Lauriano Neto, do SindSaúde também colocou a entidade a disposição para a luta.

Durante o ato uma comissão subiu para protocolar documento, pedindo para que o secretário Edson aparecido receba o grupo para dialogar. O secretário se dispôs a marcar na agenda uma reunião. Ainda foi protocolado junto ao Conselho Municipal de Saúde, que se comprometeu a ouvir os usuários.

 

Para encerrar o ato, Luan usuário da UBS há três anos, falou para os presentes que a luta não acabou, mas que todos eram vencedores por estarem na atividade e todos juntos e agradeceu todo o apoio que estavam recebendo das entidades e vereadores. “Nós vamos continuar, não vamos baixar a guarda. Eu estou aqui dizendo em nome de todos os meninos trans, meninas trans e travestis não binários e todo mundo junto nessa luta, não acabou. Eles vão receber, eles vão escutar a gente e eu vou dar o meu melhor porque esse serviço não vai acabar, ele vai continuar e nós vamos estar todos juntos”.

 

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